Vivo insatisfeita. Sofro de um síndrome que me acompanha desde que me conheço, “só estou bem onde não estou”. Uma constante sensação de insatisfação, creio que muito própria da raça humana e particularmente vincada na minha pessoa. Começo por sentir um formigueiro interior, uma espécie de urticária perante a vida que obriga a traçar mais uma meta, mais um risco no cajado, mais uma coisa para alcançar. Canso-me de mim mesma, por não ter a calma de aceitar o que já tenho. Não, nada disto se prende com o que é material, disso estou certa. Tudo se movimenta numa procura incessante para preencher um vazio que por qualquer motivo não consigo preencher. Uma vontade de nascer de novo, uma vontade de deitar para trás das costas esta vida e construir outra nova, noutro sítio. Embarga-se-me a voz e ficam rasos de água os olhos porque este estado (quase) permanente de ansiedade choca intensamente com uma outra busca que trago gravada em mim, a necessidade de ter paz de espírito, de ter serenidade. No fundo sou um vulcão que sonha ser um lago tranquilo. De facto estou recheada de antagonismos. Estou sempre oscilante, como um trapezista louco percorrendo o arame da vida, numa paixão arrebatada pela vida ou mergulhada em pensamento negros convencida que não tenho jeito absolutamente nenhum para viver.
No dia-a-dia tenho uma aparente existência prosaica, ligeira penso que as pessoas me vêm desse modo mas esse é um outro eu. Enfim se fosse um prato de comida seria uma tosta mista.
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