Sabe bem a calma do silêncio e os pensamentos que planam pelas páginas já escritas da minha vida. Os sentimentos são de saudade e de uma estranha ternura, pelas coisas maiores do passado. De olhos fechados posso voltar a tactear um corpo que também foi meu sem nunca o ter sido. O calor dos beijos que se trocaram num vale pleno de amor arrebatado até ao último minuto. Perdi coisas, agora sim sei que as perdi mas já não há mágoa e a cada dia que passa ganho outras, que me acalentam os dias que agora são apenas diferentes. No fundo as saudades são sempre das coisas boas que se viveram, das descobertas, do cheiro, do beijo e do calor, de fazer planos. Não que não tenha agora planos, claro que tenho planos, como por exemplo viver um outro amor, sentir essa leveza própria dos que têm paz de espírito, conquistar todos aqueles lugares do universo onde ainda não estive, garantir uma comunhão com a vida. Tropeçar e levantar-me de seguida com mais força, com mais sabedoria. Os dias são assim, calmos e gastos numa viagem interior de auto conhecimento, pois esta é a única forma de se poder ser feliz. Saber quais as prioridades, saber quais as necessidades, conhecer-me para poder ter a disponibilidade de conhecer o outro, quer ele seja amigo ou amante.
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